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Seria feminista se...


Sempre me considerei uma mulher machista. Não que eu ache que a mulher deva ser submissão ao homem ou ser categorizada como inferior.
Mas é que tem coisas no feminismo que me deixam de orelha em pé. Conseguimos trabalhar, votar e ser ouvidas; mas a louça continua na pia para ser lavada.
Conquistamos vários direitos e não outorgamos nenhum dos nossos “típicos” deveres.
Sim, nós estudamos, trabalhamos, fomos ouvidas e reconhecidas. Mas tudo isso só nos fez ter jornadas triplas de trabalho. Há o trabalho remunerado, mas ainda tem uma casa para limpar filhos para cuidar e, salvo raras exceções, um homem que pouco o nada te ajuda.
Se trabalhar, estudar, votar e ter opinião própria não torna a mulher masculinizada; lavar, passar, trocar de fralda não torna um homem uma mulherzinha.
Almoço de domingo em família, por exemplo, para mim é um tormento. Trabalho quanto qualquer homem a semana inteira e chega no domingo, ainda tem que cozinhar e lavar toda a louça. Enquanto os homens vão pra TV, beber ou até dormir.
Também, deveria dar um grito e chamar a atenção dos homens da família, mas as poucas vezes que tentei argumentar, simplesmente, ganho risadinha e comentários de como sou uma mulher vadia relaxada.
E é nesse ponto que o feminismo que me cansa. E cansa literalmente, viu?
Chegou a hora de, muito mais que conquistar direitos, outorgar deveres. Homens gostam de casa limpa e nós também. Homens querem exercer suas profissões e nós também. Que tal zelarem por TODOS os nossos interesses JUNTOS em iguais proporções? Nós contribuímos para sustento da casa e vocês nos ajudam na faxina da semana? Vocês vão jogar futebol na quarta a noite e cuidam das crianças para nós irmos ao cinema no sábado a tarde?

Quando isso acontecer, o feminismo será, para mim, uma idéia interessante. Até lá, o homem não pode reclamar de pagar a conta se sou eu que tenho, além de tudo, lavar, passar, cozinhar e educar as crianças. 

Essa doce resiliência


Um dia, juntei todas as penas que sentia de mim mesma e fiz belas asas e voei.
Um dia, peguei todas as pedras no meu caminho e construí uma ponte.
Um dia, guardei todas as lágrimas e coloquei dentro de um pingente que agora brilha ao Sol.
A verdade é que o tanto faz não me satisfaz.
Quero o todo, mesmo que tenha que me conformar com o nada quando, no máximo, poderia ter só a metade.
Um dia, deixei de fingir quem eu queria ser para ser eu mesma e gostei.
Não porque era bela ou deliciada. Mas porque eu era única em toda minha complexidade resumida em gargalhadas de piadas que somente têm graça em meu universo particular.
Sou dessas, que faz da tristeza fortaleza e que se diverte de vez em quando para não sentir a vida pesada.
Todas as minhas cicatrizes, que para seus olhos pode me tornar deformada; para mim, são lindas e me tornam mais bela ainda, pois, contam a minha história. Uma história feliz, mesmo que não seja o tal “felizes para sempre”.
Cair e levantar sempre e, uma vez ou outra, se apoiar naqueles poucos amigos de verdade. Não que eles sejam muletas. Eles são escadas para que possamos subir e ver o mar além do muro. Eles são esperança.
Olhei-me no espelho e gostei do que vi. Meus pequenos refúgios: um livro, um bichano, um amigo e uma xícara de café. Não preciso muito mais do que isso para me sentir feliz.
Olhei para trás e sorri. Não que meu caminho tenha sido belo e cheio de flores, mas porque poderia estar louca por passar por tantos infernos. Mas estou aqui, serenamente me amando, escrevendo essas palavras.

Ah, essa doce resiliência...

Ah, sobre aquele dia que chorei...


Queria ter gritado, jogado pratos na parede. Queria ter rachado a tua cabeça para tu sentires tudo aquilo que eu sentia.
Mas eu só chorei.
A gente avisa, reavisa e até briga na esperança de que não nos machuquemos mais. Mas, nos machucamos.
Aí chorei mesmo, como uma criança mimada sem o colo da mãe. Chorei a dor do desapego. Mil vezes um amor perdido que uma amizade perdida.
Eu sei que amor não é eterno, mas teimo na ilusão de que amizade é. Naquela máxima: amores vêm e vão, amigos ficam.
Mas, não ficam não.
Se eu odiasse, seria muito mais fácil. Mas, infelizmente, minha única resposta é a indiferença e, ser indiferente dói pra cacete. Porque fingir algo que não se tem é de um trabalho imensurável.
Pode ser que doa uma semana, um mês, um ano, uma vida. Mas vou repetir, diariamente,  no espelho, que sou indiferente a você até se tornar realidade.

Acredite, dói mais em mim do que em você.

Ode à Tristeza

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Naquele dia, minha alma estava como o céu: triste, cinza, fechado, chorando. Com o tempo, aprendi a me dar ao luxo de me sentir miserável e só com meus botões. É que a vida moderna exige tanto, tanto trabalho, tanta festa, tanto sexo, tanta alegria, tanto dinheiro... Exige tanta perfeição que parece, aos olhos do mundo, que somos pecadores, relapsos, fracos por querer passar um tempo sentindo pena de si mesmo.
Na ditadura da felicidade, sou herege por preferir ficar em casa lendo aquele romance bobo ou chorar por tudo aquilo que, na vida, não há o que fazer.
Nessa obrigação de sempre estar sorrindo e contente, esqueceu-se que é da tristeza que nascem as mais lindas canções.
A alegria é superficial, mas a tristeza... a tristeza te obriga a mergulhar em si mesmo, a entrar e sair do próprio peito com faca em punho rasgando a carne. Não há frivolidade na tristeza.
Olhar, e permitir-se olhar para o que dói é um privilégio do ser humano. Ver-se suja, hipócrita, leprosa, mimada. Culpar a Deus e a si mesma. Sentir-se lixo em meios as lágrimas.
Vivenciar a tristeza não é a solução dos problemas, mas é minha forma que lidar com os problemas que não tem solução. Gosto de ser triste. Não sempre, mas por vez ou outra, só para não me esquecer que sou humana. Só para poder apreciar a beleza de uma flor ou de um bichano se espreguiçando na fresta de sol.
Não é aquela tristeza que clama pelo consolo alheio. É solitária, egoísta e birrenta. Um manjar a ser apreciado só por mim. Nesses dias, não quero colo e nem discursos reconfortantes. Prefiro encarar todos os monstros no espelho, sentir a dor do flagelo, da cólera, do desespero.
Deixe-me chorar por nada, por tudo e pelas coisas que não se podem mudar. Deixe-me blasfemar contra Deus, contra a Justiça divida.
Deixe-me, porque sou com uma fênix. Preciso ver-me em cinzas para renascer na glória.

Sobre a Assembléia Constituinte Específica proposta pela Dilma. Ou: Nosso(nem tão nosso) querido Frankenstein jurídico...

Muitos me perguntaram hoje sobre a proposta da Dilma em convocar um plebiscito para consultar o povo acerca de um processo constituinte específico para a reforma política.
Confesso que, no começo, fiquei sem o que dizer pois nunca tinha ouvido falar dessa possibilidade. Porém, realmente é possível? Em tese, sim.
Porém, com ressalvas:
Vou tentar explicar de uma forma leiga para que todos entendam. Já peço desculpas aos operadores do Direito, antecipadamente, pela falta de proxilidade.
Primeiro – O presidente não tem poderes para convocar plebiscito. Esse poder é do Congresso Nacional.
Segundo – Plebiscito é algo complicado e demorado. Além de se ter a proposta, é necessário movimentar toda a máquina eleitoral para criar propaganda eleitoral gratuita, debates, pessoas a favor e contra. E não custa lembrar que todo o dinheiro gasto nisso (que não é pouco) sai do nosso bolso.
Terceiro – Fazer uma Assembléia Constituinte específica é algo perigoso. Quem fará parte dessa Assembléia? Servem aos interesses de quem? Quem nos garante que os integrantes dessa Assembléia, realmente, atenderão os anseios da nossa sociedade em um país corporativista como o Brasil. Sim, o Brasil é um país corporativista. Peguem como exemplo os partidos: tem partido representando militar, comunista, igreja, gays, instituições financeiras e por aí vai... Mas tem partido que represente o povo brasileiro? Não. Não é a toa que a frase: “fulano de tal não me representa” está tão na moda. Vocês acham que esse corporativismo não iria contaminar uma Constituinte mesmo que específica?
Quarto – O que for decidido em Assembléia não passa a vigorar automaticamente. É necessário que passe pela votação no Congresso Nacional por meio de Emenda Constitucional. Atualmente, nossa Constituição só pode ser reformada por Emenda Constitucional nos termos do art. 60 da CF. Não vejo outro jeito. Mesmo que o plebiscito ocorra as mil maravilhas, tem que passar pelo Congresso com a possibilidade de empacar lá por mais duas décadas.
Conclusão -  Não se enganem, essa história de plebiscito é só para dar a impressão de que o povo está participando do processo de reforma política. Saímos na rua, pedimos explicações e providências. Mas, a resposta não é movimentar toda a máquina eleitoral desnecessariamente. A presidenta, sozinha, pode propor uma Emenda Constitucional. Não precisa de um plebiscito, gastando milhões do nosso dinheiro, para que a sociedade discuta a reforma política. Isso, na prática só demoraria ainda mais a concretização da Reforma.
Enfim, o que a presidenta propôs possível? É. É viável? Não.

Da loucura e coisas afins



É chegada a hora da loucura,
Quando todas as tormentas de outrora vem à tona.
É chegada a hora da loucura,
Com permissão moral para dançar nua na chuva.
É chegada a hora da loucura,
A sanidade já se foi faz tempo.
É chegada a hora da loucura,
E gritar o que a minh’alma sufoca.
Quero quebrar os espelhos e aceitar a eternidade de azar,
Vou adorar todos os gatos pretos e caçar escadas para debaixo passar.
Quero falar Teu santo nome em vão, entregar-me ao inimigo e quebrar os juramentos.
É chegada a hora da loucura e meu destino aceitar;
Não importa se for uma fogueira ou uma camisa de força.
É que você tanto fez que, agora, tanto faz.
É chegada a hora da loucura,
Mas só vou andar calmamente sorrindo pela rua

De desilusão. 

O Sobrado da Rua Velha - O Livro




Esse é o nome do livro que acabei de ler. Para quem curte uma literatura de terror... super recomendo.

Sou do tipo que me divirto com esse tipo de literatura. Basicamente, mostra uma família perfeita que após um incidente resolve morar no interior. Mas escolheram a casa errada.

Tem aquela vibe de Game Of Thrones, sabe? O autor simplesmente não tem dó ao dar um fim trágico a qualquer personagem.

Como o autor é brasileiro, ele acabou abordando temas que fizeram parte da nossa infância como, por exemplo, o quadro dos meninos tristes e o velho jogo do espelho que me aterrorizava quando criança.

Falando mais sobre a parte paranormal em si, o livro é bem eclético: tem fantasmas, aparições, ursinhos malditos, pesadelos, possessão, inferno, mediunidade e por aí vai.

Para quem gosta de sangue como eu (só que não rs) o livro tem umas partes que se espremer sai sangue o suficiente para salvar umas 10 vidas, rs. 

Quem quiser saber mais é só clicar aqui


PS: eu tinha escrito um texto enooooorme  super empolgada sobre o livro, mas daí me dei conta que ia ter muito spoiler. Mas fiquei com pena de deletar as minhas cenas preferidas e a única coisa que realmente não gostei no livro. Taí para quem quiser ler:

SPOILER SPOILER SPOLIER SPOILER SPOILER

Melhores cenas:

·         Quando Sam e Pedro fazem a brincadeira do espelho. Sério, lembrou eu mesma com aquela idade

·         O momento que os ursinhos fizeram uma cara feia para Cristina. Se você cresceu com a velha lenda da boneca satânica da Xuxa.. você irá me entender. 

·         A morte da Cristina: Para mim, um dos melhores momentos do livro porque eu simplesmente achava ela uma chata, toda perfeitinha  e realmente deveria ser uma das primeiras a morrer. Eu só pensava: toma desgraçada!!!

·         A briga do Joel com o dono da venda: Apesar de ter muito, mas muito sangue, essa parte do livro é digno de um dos filmes com o Jason...  só que ao invés de uma serra elétrica, o cara usava um machado.

O que poderia ser melhor:

Meu personagem preferido era o Sam. Sim, ele sobrevive mas com seqüelas. O problema é que não detalhou o fim o Sam, mas ficou o fim do livro inteiro falando da Juliana que, sinceramente, não teve nenhuma participação importante no desenrolar da trama. A única coisa realmente importante que ela fez foi perder a virgindade. Juro pra vocês que eu estava apostando que o namorado dela ia ser possuído e acabar estuprando a Juliana e a engravidando do demo no melhor estilo Bebê de Rosemery. 

Sério, engravidar do capeta seria mais verossímil que perder a virgindade sem sentir dor, sem sangrar, sem preliminar e ter orgasmo ao mesmo tempo que o parceiro, rs.

Devaneios catarinos sobre os gaúchos. Ou: Oh povinho bardoso!



Estava conversando com um amigo meu sobre a diferença entre catarinenses e gaúchos. 

Brincadeiras a parte, o povo gaúcho tem, e, desculpe a redundância, umas peculiaridades bem peculiares.

Tem coisas que, simplesmente não  entendo: só os gaúchos podem explicar o prazer de se comemorar uma revolução que perdeu!!!

Até hoje não entendi a moral de comemorar a Revolução Farroupilha que, no fim das contas, não revolucionou coisa nenhuma. Por isso, me resguardo em chamar simplesmente de Guerra dos Farrapos.

Tá. Faz anos que não estudo história, mas lembro bem do cunho separatista da revolta. No fringir dos ovos, os gaúchos voltaram a ser brasileiros.

Sim, sou catarinense e não, não tenho o mínimo orgulho de Anita Garibaldi. Mulher traíra, o marido dela se juntou ao exército imperial e ela foi lá trair ele com o Garibaldi. 

Expôs o coitado do marido ao ridículo.

Todos contam a coragem dela de lutar grávida quase parindo o filho em meio a guerra. O que vocês chamam de coragem, eu chamo de irresponsabilidade!! Jamais arriscaria a vida do meu filho por causa nenhuma.

As causas qualquer um pode aderir, mas nossos filhos, só nós mesmas podemos dar à luz.

Catarinense não comemora a República Juliana, que reza a lenda que era uma república independente desde que obedecesse à, então, República Rio Grandense. Democracia para que, né gente? Desde daquela época, os gaúchos achavam que Santa Catarina era seu quintal. Tsc tsc.

Eu sei, a gente se odeia, mas a gente se ama... Mas bah, é tipo amor de malandro, entendesse? rs  

Sobre viver e outras bobagens...


As pessoas se esqueceram tanto de ser sinceras com os outros, que acabam mentindo para si próprios.

Poderia aqui escrever doces palavras, enfeita-las com frases de efeito. Mas, infelizmente, não sei escrever o que não sinto.

Ser eu mesma tem me obrigado a me reinventar todos os dias. Dar-me ao luxo de amar, de odiar ou de, simplesmente, ser indiferente às coisas ou às pessoas ao meu redor. Não necessariamente nessa mesma ordem.

É como se minha alma fosse um corredor cheio de portas. Algumas eu abro e fico horas em meu universo particular. Outras portas só de olhar me assustam. Mas, fechar algumas dessas portas é o que me dói mais.

Sou um cubo mágico: mexo aqui, mexo acolá... mas nunca, nunca resolvo o enigma de quem realmente sou e qual o meu papel nesse mundo.

Mas por mais que eu mude, por mais que eu me quebre, por mais que eu me cole de diferentes formas, ainda assim, essa sou eu.

Capaz de matar e morrer. Aliás, isso é muito fácil quando não se tem nada a perder.

Capaz de despertar o amor e o ódio. Ninguém é obrigado a gostar da gente como a gente é. Nem eu sou obrigada a gostar de você.

Capaz de gritar para o mundo que nada dessa porra está certa. Capaz de olhar a maior crueldade humana com indiferença.

Sou capaz de tanta coisa, que me sinto capaz de nada.

Mas, pelo menos, eu ainda sou eu... me reinventando, e descobrindo que de tanto amor, aos poucos,  também se morre... 

Aos que conseguem viver dele, minha inveja sincera e um abraço apertado.

Meus tons de cinza não são os da moda


É duro se dar conta que está órfã. As vezes, ser órfã por opção é, simplesmente, optar pelo menor sofrimento.
Dói ter que dizer não a uma pessoa que te machuca ou permite que outros o machuquem.
Ninguém me disse que a vida poderia ser assim, tão triste e tão sem sentido.
É triste saber que não se tem família. Um dia você acorda e se percebe só no mundo. Quando se olha para os lados e só enxerga o vazio, é um sinal que não vale a pena viver.
Eu sei que tenho  dom de despertar desprezo e ódio nas pessoas. Mas é que a gente só dá aquilo que tem.
O ódio eu nem ligo tanto.... mas o desprezo, esse não ligar para os sentimentos alheios,  esse constrangimento quando os olhares se cruzam... isso é cruel.
Por isso prefiro me afastar, mergulhar em meus devaneios particulares. Tenho que me perder para me encontrar.
Por que esse masoquismo bobo de querer estar ao lado de quem não nos considera?
Queria ser uma dessas pessoas que gostam sem esperar nada em troca. Mas eu espero. E quando não recebo, eu sofro. Não tanto pelo desprezo em si, mas porque não sou do tipo de pessoa que gosta fácil, mas, quando gosta... gosta de verdade.
É como se desse uma pérola de presente e essa pessoa deixasse ali, junto das quinquilharias, na estante empoeirado.
A estrada da vida é muito longa. Devemos deixar algumas coisas que pesam pelo caminho para tornar a caminhada mais leve. Eu estou deixando meu coração.

Meu querido Arquivo X


Faz um bom tempo que não atualizo o blog, por várias razões dentre elas o fato de eu ter feito uma maratona Arquivo X.

Sempre fui fã da série desde 1998 quando a série passava na Record. Lembro que era as sextas à 11 da noite, o que para mim, na época, era muito tarde.

Mas, confesso que não acompanhei a série como gostaria, seja pelo horário ou pelo fato da Record nunca ter passado a série exatamente na ordem.

Para mim, isso pouco importava, já que a grande maioria dos episódios eram independentes entre si.

Arquivo X começou como quem não queria nada e arrebatou uma legião de fã que são, até hoje, fanáticos pela série.

Como toda boa fã feminina de Arquivo X, eu era fascinada pelo Fox Mulder. 


O mais engraçado é que não era tanto pela beleza dele e sim pela personalidade, inteligência, sarcasmo e fidelidade aos seus princípios.

Enquanto minhas amigas amavam o Brad Pitt porque era lindo ou o Leo Dicaprio porque era sensível, eu amava o Fox Mulder porque ele era inteligente e obstinado.


Está aí uma série que deixou um legado a todos o jovens amantes de séries em geral. Foi no Arquivo X, por exemplo, que se popularizou o termo Shippers que era designados aos eXcers que torciam pelo envolvimento amoroso entre os agente principais da série. Em contraposição, havia os NoRomos (no romance) que defendiam o fato da série não necessitar desse clima romântico e que os casos inexplicáveis eram, por si só, suficientes  para o seguimento da série.

Particularmente, durante muito tempo eu era NoRomo. Primeiro, porque tinha ciúmes do Fox Mulder e segundo, porque não acompanhava a série na sua sequência exata para entender a fundo a ligação entre Fox e Dana.

Assistindo à série na sua ordem, e agora, bem mais madura para entender a sua complexidade, admito que a conspiração e toda a história ficou muito óbvia a partir da metade da série.

Os vilões sempre tiveram meu respeito. Tanto o Cancer Man como seu filho Jeffrey me pareceram super simpáticos. Queiramos ou não, o filho do canceroso salvou o Willian, o filho de Mulder e Scully. O canceroso também teve sua cota de sacrifícios: nunca pode estar com o amor de sua vida (a mãe do Mulder), entregou sua esposa para experiências com aliens e sempre enfrentou o ódio de seu filhos: Jeffrey e Mulder.


Também sempre gostei do Skinner, mesmo quando a Dana cismava que ele fazia parte do tão famoso Sindicato.

O Krycek também merece meu respeito. Primeiro porque ele é o homem mais lindo de toda a série e fazia um par super interessante com Marieta (funcionária da ONU que a mando do canceroso dava informações privilegiadas ao Mulder). Sim, ele fez muita merda na série inteira... mas sofreu muito também, inclusive com a amputação do seu braço.


Mas não tinha só gente querendo ralar a vida do menos querido agente da Bureal. Ele tinha seus fiéis amigos: os pistoleiros solitários, que acabaram morrendo da forma que achavam mais nobre; protegendo a terra de um ataque biológico fatal.


Com a saída de Mulder da série, desisti de acompanhar pela Record. Ainda tinha na cabeça aquela imagem do Robert Patrick como o inimigo do Exterminador do Futuro II. Juro a vocês que eu achava que ele ia se derreter em metal líquido igualzinho ao filme em qualquer epy da série.

Mas sim, acabei gostando do Agente John Dogget. Ao assistir à série completa, tinha raiva da Scully que o obrigava a acreditar no unsee world. John Dogget não acreditava em nada que não fosse natural. Ele preferia não acreditar porque não podia viver com possibilidade de não ter feito tudo o que pôde para salvar seu filho, Luke, que foi assassinado quando era criança.


John Dogget era o típico macho man, sempre exalando testosterona pelos poros em suas cenas. Nunca soube ao certo se ele realmente era apaixonado pela Scully ou se se rendeu ao amor da agente Monica Reyes.


Ah Monica Reyes... essa é um personagem na qual me identifico muito. Até o Mulder, o spook Mulder, achava ela doida... Era especialista em crimes envolvendo rituais satânicos e acreditava em todas as energias do universo: mundo paralelo, numerologia, vida após a morte, vidas passadas.

Esses agentes dançaram New York, New York na cara da sociedade americana e conquistaram um pedaço eterno de cada um de seus milhares de fãs.

Vemos a influência de Arquivo X em novas séries como Supernatural e Fringe. Sempre tem aqueles fanáticos que acham um absurdo essas séries novatas fazerem referência a X Files. Eu acho ótimo. Alias é uma excelente forma de se conseguir mais eXcers jovens. Eu mesma conheço alguns adolescentes que começaram a ver Arquivo X por causa de Supernatural.

Talvez, a referência mais recente ao X File é o filme Prometheus, já que explora uma teoria muito abordada pelas últimas temporadas: de que deus, na verdade, é de origem extraterrestre e que talvez sejamos cobaia ou criação deles para uma futura colonização.

Aos eXcers, a verdade sempre estará lá fora. E para você que acha que Arquivo X acabou faz tempo: doce engano! Afinal, como foi revelado no último epy, a invasão definitiva dos aliens para a colonização da terra tem data marcada: 22 de dezembro de 2012, um dia após o apocalipse no calendário maia.

Já estou preparando a fita crepe para colocar um X na minha janela como parte da decoração de Natal. Afinal, I want to believe. 

A menina e o monstro


Tem dias que eu acordo querendo dominar o mundo.

Tem dias que eu, simplesmente, quero sumir dele.

O mundo é bom dos olhos daqueles que vêem.

Mas, meus olhos são negros e enxergo tudo em tons de cinza.

Às vezes vejo algumas cores, mas não são as minhas. São as dos meus amigos.

Porque quando volto a ficar só, os tons de cinza prevalecem.

Não é fácil ser a decepção da família, afinal, aquela garotinha inteligente poderia, no futuro, encontrar a cura do câncer.

A garotinha cresceu e se tornou um fracasso, um peso para a família.

Peso tão pesado que nem eu mesma suporto.

Cresci querendo conquistar o mundo, mas, me descobri que mal consigo dominar a mim mesma.

Posso rir, contar piadas, aconselhar... mas não consigo expressar esse lado negro do coração.

Ver meu verdadeiro eu, seria como ver o próprio diabo no reflexo do espelho.

Apenas consigo flertar com esse monstro, mas, derrotá-lo... isso já está fora do meu alcance.

Ele quis.



Um dia ele quis voltar.
Homens são assim... eles voltam quando desistimos deles.
Sim, ele quis voltar. Como se nada tivesse acontecido.
Já tinha seguido meu caminho, me conformado, cicatrizado a ferida.
Mas, ele quis voltar. Como se o tempo pudesse voltar.
Não consegui responder. Só sentia as lágrimas mornas caindo pelo meu rosto.
Contudo, ele quis voltar. Aquele eterno desconhecido.
Só que o abraço dele, que um dia tanto desejei, me causaram repúdio.
E ele ainda quis voltar. Respondi com o meu silêncio e tornei a subir as escadas.
Se pudesse, embrulharia essa música e daria de presente para que ele, realmente, entendesse o que estava sentido no momento.
Ele quis voltar. É, os homens são assim...

O Sobrado da Rua Velha



Galerinha do terror que vive reclamando da falta de produção literária nacional desse gênero, o Nirvana Mental tem o prazer de dizer que isto está mudando.

Jeremias Soares de Mello, gaúcho, funcionário público e amante de tudo que seja relacionado a terror/suspense resolveu se aventurar nesse nicho literário e, irá lançar, no dia 27 de setembro desse ano, o livro: O Sobrado da Rua Velha.

Não pude perder a oportunidade de entrevistá-lo, já que eu, assim como vocês, também sou amante do bom e velho terror. Confira:



Priscila: Olá Jeremias, quer dizer que você é o mais novo escritor do gênero suspense/terror?

Jeremias: É, estou realizando o maior sonho da minha vida. Ganhei a oportunidade de publicar o livro através de uma editora voltada para novos autores (Multifoco) e não quero desperdiçar a chance. Pretendo estabelecer um novo estilo para este gênero, mas sei que estou tentando passar por um funil bem estreito.


Priscila: Afinal, sobre o que o Sobrado da Rua Velha trata?

Jeremias: O Sobrado da Rua Velha fala sobre uma família que tenta resolver os seus problemas indo morar em uma casa que abrigou anteriormente um casal que cometeu um suicídio. É a clássica história de casa mal-assombrada. Mas o diferencial do livro são os personagens. Além da presença sobrenatural, temos a história de pessoas que enfrentam grandes dilemas pessoais.


Priscila: Que influências te ajudaram a escrever o livro?

Jeremias: Sou da opinião que "O Sobrado da Rua Velha" é uma grande compilação de influências. Tudo que existe no gênero terror está presente no livro de alguma maneira. Quis fazer o meu romance de estreia ser uma história completa. Mas, eu, também, me inspirei em algumas lendas urbanas, além de trazer, também, um pouco do mistério das mensagens subliminares.


Priscila: Por que escolher Canoas como cenário de todo esse mistério?

Jeremias: Porque é a cidade onde vivi toda a minha vida. Nada mais adequando do que fazer uma homenagem a ela. E felizmente existe uma região da cidade que é adequada para a Rua Velha.


Priscila: Mas, as pessoas de outras regiões vão conseguir se situar fisicamente nos cenários que o livro traz?

Jeremias: Eu cresci lendo livros de Stephen King (situados nos EUA) e as diferenças geográficas nunca atrapalham a compreensão das histórias. No mais, a Rua Velha é uma estrada que poderia existir em qualquer cidade.

Acho que criei uma história que não depende tanto assim da sua geografia.


Priscila: O Sobrado da Rua Velha é daquele tipo de livro de se ler a noite, no escuro, só com abajur aceso?

Jeremias: É o que eu recomendo. Tem que ser lido antes de dormir, afinal, nesta hora, estamos bem suscetíveis a medos. E a história de suspense/terror tem que ser vivida ao máximo.


Priscila: hahaha Mas, falando mais um pouco sobre você, o que gosta de ler? Teria alguma recomendação de algum clássico do terror para os fãs do gênero?

Jeremias: Toda a bibliografia de Stephen King, principalmente "O Cemitério", o livro mais assustador que li na minha vida. É pra ser lido à noite também.

Mas gosto também do trabalho de Dan Brown, embora não escreva histórias de terror.


Priscila: Dan Brown? Por causa das mensagens subliminares?

Jeremias: O que eu gosto nos livros dele é o talento de misturar ficção com assuntos polêmicos que não são do conhecimento da maioria. A questão da mensagem subliminar eu tirei de outros elementos.


Priscila: Quando será lançado o Livro?

Jeremias: Dia 27 de setembro, na Casa de Cultura Mario Quintana em Porto Alegre/RS


Priscila: E quem quiser saber mais sobre o livro, onde pode achar essas informações na internet?

Jeremias: No blog http://osobradodaruavelha.blogspot.com.br/ e na página do Facebook http://www.facebook.com/osobradodaruavelha . Podem, também, entrar em contato comigo pelo e-mail: jeremiasmello@hotmail.com


Priscila: Alguma dica para as pessoas que queiram se aventurar a escrever um livro?

Jeremias: Não sei se eu sou um bom conselheiro. Geralmente, as pessoas são aconselhadas a começar escrevendo contos, porém, jamais consegui escrever um. Tenho interesse mesmo por romances. Acho que pessoa tem que saber bem o que quer e tem que gostar de escrever. Ao fazer aquilo que você gosta, tudo fica mais fácil.

Mas é um caminho bem longo. Eu ainda estou muito no início. Se eu conseguir chegar lá frente, prometo voltar para contar (risos).

Para aqueles que amo...


É difícil aprender a amar além de nós mesmos.

Mas quando eu amo... ah, mas quando eu amo... nessas raras vezes que amei na vida, aprendi que amar é ser livre e deixar as pessoas livres.

Aqui, não falo só do amor romântico. Falo do amor fraterno, do amor pela família, amigos, gatos e, principalmente, amor pela vida em si.

No entanto, não é fácil amar dessa forma despretensiosa. A minha mais verdadeira verdade é que morro de vontade de colocar tudo que amo dentro de uma jaulinha do meu coração. Não. Não quero prendê-los. Quero trancafiá-los para protegê-los das mazelas desse mundo que é tão cruel.

Queria ter asas enormes para proteger a todos que amo das tempestades, dos tsunamis, dos terremotos que esse mundo fanfarrão insiste em nos enviar.

Ter espaços suficientes para dar colo a todos ao mesmo tempo. Muitas mãos para fazer cafunés, muitos olhos para poder chorar junto. Muitas bocas para gargalhar. Seria uma aberração da natureza de tanto amor que eu queria dar.

Mas a verdade, a verdadeira verdade, é que mal posso cuidar de mim... quanto mais daqueles que amo. Sou eu que amo e sou eu recebo os cafunés, o compartilhar das lágrimas e dos sorrisos. Sou eu quem ganha colo quando meu chão desmorona.

Meu amor é assim, deixo-os livres para fazerem o que quiserem, mas, mesmo assim, eles preferem estar do meu lado nem que seja somente em pensamento. É essa liberdade que nos prende, nos faz cativo da pessoa amada.

Tenho muito que aprender com aqueles que amo. Logo eu, que de tanto amar, queria ensinar e não receber essas lições que fazem a gente virar mais humano.

É. O amor tem dessas coisas....

Ilusão e outras bobagens importantes


Eu queria viver de ilusão.

Aquela ilusão boba, cor de rosa, fofinha e doce como algodão doce e que me faz sentir borboletas no estômago.

Foda-se a realidade se a ilusão te faz feliz.

Antes uma ilusão boa que uma realidade triste. Na ilusão podemos ser o que quiser, sentir o que quiser e achar o que quiser sobre os sentimentos alheios. Um mundo onde tudo é lindo e os contos de fadas existem.

A ilusão me dá tudo aquilo que a realidade me nega. Perfeito.

É onde crio meu mundo, meu universo particular na qual só eu tenho a chave. Muitas vezes a abro e fico ali por horas... inventando e reinventando novas ilusões. Sou uma artista que minto a mim mesma. E sou feliz assim nesse cria e descria. Às vezes crio ilusões tão reais que aparentam ser mais real que a realidade em si. Meu mundo, minhas regras, minhas ilusões.

A ilusão só tem um defeito: tem prazo de validade. Sim, mais cedo ou mais tarde a verdade sempre vem. Crua, rasgando a pele e deixando marcas irrecuperáveis.

Se pudessem ver minha alma, veriam milhares de cicatrizes que fiz pelo caminho. Toda deformada. Para muitos minha alma seria um monstro, mas, para mim, cada cicatriz tem a sua beleza peculiar. Não porque seja bela, mas porque cada uma delas conta minha história.

Sou esse paradoxo: um monstro belo que ainda não aprendeu a viver na realidade. Um monstro que prefere sonhar com coisas belas, mesmo que seja por um tempo determinado.

Não importa quantas vezes eu acorde gritando com a realidade me esfolando viva. Passado o susto e a dor, lá vou eu sonhar novamente.

Queria viver num mundo onde a ilusão fosse eterna para poder chamá-la de minha realidade.

Mas essa, já é uma ilusão que não me permito ter.

Quando a dor já não dói mais...


Dor de amor não dói tanto quanto a dor do amor próprio. Esse sim, dilacera a alma.

Aos poucos que me conhecem, sabem que tenho uma vida conturbada. Sou praticamente uma ilha cercada de problemas por todos os lados. Não há onde eu olhe que não veja um tsunami de confusão.

Quantas vezes meu coração e minha alma se quebraram. Gastei tubos de cola remendando pedacinho por pedacinho.

Por favor, não me julguem quando eu me apego a um pedacinho de felicidade, mesmo que seja falsa. Mas é essa falsa alegria tudo o que tenho.

Quem me dera que essa falsidade fosse eterna. Quem sabe um dia minha paz se sobreporia à terra. E viver seria só festejar.

Mas não há falsidade que dure para sempre. A maldita verdade sempre tem que dar a caras. Ela ri de mim, se delicia com as minhas lágrimas que não queria jamais derramar.

Sabe, tenho vocação para ser a bruxa má de qualquer conto infantil. Não tenho olhar meigo, nem voz doce, nem um corpo delicado. Nenhum príncipe encantando me deseja.

Sou a vilã que sofre como a mocinha de novela mexicana. Sou enganada, traída, enganada novamente, me envolvi em tantas mentiras que nem sei como saí delas.

Aliás, sei sim. Passe um final de semana inteiro com duas cartelas de rivotril e diazepan. Dormi quase tanto a bela adormecida, sem a parte da bela.

Quando dei por mim já era segunda, e tudo ficou claro... as mentiras e as enganações. E eu, que me julgo tão inteligente, me senti patética.

Na minha pequena ilha cercada de problemas estão os cacos da minha alma, da minha esperança, da minha alegria. A cola acabou. Não dá para remendar, mais uma vez, a minha alma. Passeio pela areia e meus pés sangram com os cortes profundos dos vidros. Mas essa dor não me importa mais. Meu sangue infeccioso já não me pertence mais.

Sento em meio os cacos e vejo as ondas do mar trazendo todos os meus problemas por todos os lados. Sozinha, olho para o lado e vejo a maçã que eu mesma envenenei. Só, que ao invés de entregar à doce Branca de Neve... eu mesma a comerei. Juro que será o último gosto amargo que sentirei nessa vida.

Eu e eu mesma mais uma vez...

Às vezes, é hora de recomeçar.

A vida não é fácil para ninguém. Não é para mim e nem pra ti.

Incontáveis vezes, mesmo chorando por dentro, tive que colocar um sorriso no rosto e fingir que estava tudo bem.

Há problemas que tem solução. Há problemas que não. Esses últimos, resta-nos aceitar e aprender a ver o lado bom deles. Sim, porque eles te fodem é verdade. Mas, também, te ensinam.

Há pessoas que nascem sabendo de muitas coisas, e, há pessoas, como eu, que só aprendem na porrada mesmo.

Por vezes, porrada não é o suficiente e lá vou eu... cometer o mesmo erro de forma diferente.

Porém, mais cedo ou mais tarde, aprendemos. Não porque somos bonzinhos ou queremos ser seres melhores. Aprendemos porque o sofrimento dói, e, chega uma hora que o mesmo erro de sempre não vale mais uma sessão de surra da vida.

E é aí, quando aprendemos; quando juntamos nossos caquinhos; quando avaliamos as opções que nos restam... é aí que recomeçamos mais uma vez.

Perdi as contas de quantas vezes tive que recomeçar e, pelo jeito que as coisas andam, terei que recomeçar muito mais vezes.

Mas essa sou eu, recomeçando mais uma vez. Respira fundo, Priscila. Você já fez isso muitas vezes antes e sempre se reergueu mais forte. Sempre se reergueu mais frágil. Pois, admitir minha fragilidade tem sido minha maior força.

Só mais uma sobre amor e outras coisas tolas


Sempre me ensinaram que amor é para ser vivido e não racionalizado. Rebelde como sou, acabo racionalizando o amor e todos os outros sentimentos.

O amor não deveria ser o fim em si mesmo. Devia ser o meio de um caminho sem fim.

Se nossa finalidade de vida fosse apenas o amor, quando o encontrássemos estaríamos no ápice de nossas vidas. Qual o problema do ápice? É que depois dele só nos resta a decadência.

Não é a toa que tantas pessoas (inclusive eu) sofrem por amor. Depois do êxtase, mais cedo ou mais tarde, teremos que enfrentar o vazio.

Precisamos de motivações (ressalta-se o plural) para continuar vivendo. O amor não pode ser a única.

A vida está aí, sempre nos dando dicas sobre com o que nos motivar. Basta olhar em volta, de forma despretensiosa que você as encontrará.

Mas não viva por causa de apenas uma motivação. É mais ou menos como aquela regra básica de economia: não deposite todos os seus ovos numa única cesta.

Ainda há muito que se cultivar, como as amizades, as relações de parentesco, descobrir os mistérios da vida e da morte, ou, simplesmente, inventar uma receita perfeita de bolo chocolate.

Não viva só para amar alguém. Não seja egoísta.

Não viva só para ganhar dinheiro. Não adianta guardar muito dinheiro para velhice quando não se tem disposição para viajar para lugares espetaculares e gastar dinheiro em roupa já não faz muito sentido.

Não viva só para agradar os outros. Muito menos espere que os outros te agradem de volta.

Não viva só para estudar. Teoria demais sem aplicabilidade prática é uma ciência vazia.

Não viva só. O ser humano não nasceu para viver isolado como uma ilha. Precisamos das pessoas e isso é um fato incontestável.

Achar o equilíbrio nisso tudo não é uma tarefa fácil. Mas é simples achar graça na vida quando um bichinho se aninha em seu colo, quando come brigadeiro com sua melhor amiga, quando chora no ombro do seu amigo.

O amor, o dinheiro, a amizade, os estudos não são um fim em si mesmo. São apenas vários meios que utilizamos na arte de viver.

Não importa onde vamos chegar, mas é importante que, ao chegarmos, poder olhar para trás e ver um caminho às vezes florido, às vezes nem tanto. Porém, apesar de tudo, ter a dignidade de manter a cabeça erguida e dizer que valeu a pena.

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