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Tô nem aí pra Ciência. Me amem.

Achem-me louca, insana ou doente mental: mas não confio na ciência.
Às vezes me pergunto como as pessoas absorvem uma informação como verdadeira pelo simples fato de ser cientificamente provado ou renegam a probabilidade de qualquer outra informação ser verdadeira somente pelo fato de não ter sido comprovado cientificamente.
Não sei a vocês, mas, para mim, parece-me estupidamente ilógica a própria lógica científica. Como separar o observador (o cientista) do observado (o mundo) se aquele está incluso no contexto do que pode ser observado e “não pode ser vendido separadamente”?
Os fãs da ciência irão dizer que esta é mais confiável porque neutra. Como pode um cientista ser neutro se ele faz parte direta ou indiretamente do objeto a ser observado?
A ciência é uma jovem pretensiosa, porém, limitada. Há de ser reconhecer os limites da ciência, assim como todo “ser científico” adora alardear as limitações das crenças, das religiões, dos mitos, das lendas.
Há várias verdades no mundo e cada um tem o direito de escolher o seu melhor entre elas.
Para mim, um conhecimento milenar é muito mais verdadeiro que qualquer estudo científico realizado pelo mais belo brilhante profissional de Havard. Sabe por quê? Porque o conhecimento milenar resiste ao tempo, coisa que a ciência se mostra incapaz de fazer.
Hoje, a ciência aponta um caminho, amanhã apontará outro completamente diferente e nunca reconhecerá que seus resultados não correspondem, necessariamente, a verdade nua e crua como ela é.
Você pode achar que aquele povo que acreditava em fadas, duendes e sereias era um povo estúpido. A existência de seres mágicos nunca foi comprovada ou reprovada pela ciência, mas, fazia com que o ser humano daquela época respeitasse o planeta em que vivia, convivendo em harmonia com a natureza.
Já os grandes cientistas e os grandes avanços tecnológicos podem ter razoabilidade, mas fizeram com que o homem se esquecesse que faz parte desse mundo. O planeta sofre por causa da poluição, do desmatamento, a utilização inadequada dos recursos naturais, e, ninguém pode dizer que esse fanatismo à crença da ciência colaborou e muito para o colapso atual da natureza.
Essa ciência está acabando com o mundo e se o mundo um dia acabar, nós acabaremos com ele.
Agora pergunto: quem é o povo estúpido?
Pouco importa se duendes e fadas existam ou não. Se sua crença faz com que vivamos em harmonia com planeta, se isso deixa o mundo em que vivemos melhor... qual o problema?
Eu, por exemplo, não acredito na teoria evolucionista de Darwin... sou criacionista de carteirinha. Não é que o criacionismo seja verdadeiro, mas, me faz bem crer que alguém maior criou tudo o que se tem hoje. Essa crença me faz respeitar o mundo que vivo porque reconheço que é melhor que eu e faz respeitar a mim mesma porque essa pessoa insignificante que vos fala deve ter alguma função por estar inserida num mundo tão vasto.
Acreditar, simplesmente, que sou fruto da casualidade do caos, é determinar que minha existência (e a sua existência) é vazia. Se assim o for, tanto faz viver ou morrer. Mas, eu preferi a vida com suas crenças milenares tolas sem comprovação científica porque são elas que fazem eu ser aquilo que sou: um ser humano.

Só mais um texto sobre aborto


Se você acha que esse é mais um assunto polêmico que não adianta discussão pois não há um denominador comum... parabéns, você acertou!

Esse post não tem o condão de trazer uma solução definitiva para tal discussão. Tem, apenas, o objetivo de acentuar certos pontos que, normalmente, não vejo sendo discutidos sobre aborto.

Então vamos lá:

Cristianismo X Aborto

Mui grande é a interferência de líderes religiosos cristãos para que não se permita o aborto, legalmente, no Brasil.

Para os cristãos, não há dúvida que não se deve abortar pois é pecado. Mas isso, não é motivo justificador suficiente para que uma conduta seja considerada crime.

Veja bem, não há pecadinho ou pecadão. Pecado é pecado. E pecado, por pecado, adultério também é. Até anos atrás, adultério era crime no Brasil e, mesmo não se aplicando a lei durante décadas, somente há alguns anos esse crime foi retirado dentre as condutas tidas como crime.

Engraçado. Adultério é tão pecado quanto aborto e eu, sinceramente, não lembro de nenhum líder religioso bradar publicamente contra a retirada do adultério do rol de crimes.

Você pode pensar: Mas adultério não acaba com uma vida ou uma expectativa de vida, aborto sim.

Quantas famílias conhecemos que foram destruídas por causa do adultério? Crianças crescem traumatizadas e “convivem com a ausência” de um dos pais. Homens e mulheres que perdem o gosto pela vida. Traumas que acabam com a qualidade de vida de qualquer pessoa.

Aliás, o conceito de vida é relativo. Será que viver é só respirar ou viver implica em boas condições para ser feliz? Entendam, aborto sempre foi e sempre continuará sendo pecado, independente de ser considerado crime no Brasil ou não. A própria Bíblia diz que a lei dos homens passará, mas nunca a lei de Deus.

E como cristãos, não nos cabe julgar aquela mulher que aborta. Cada um sabe onde seu calo aperta. E se alguma mulher pecou por abortar... quem somos nós para acusá-la? Cada um de nós pecamos diariamente. Afinal, aquele que não tiver pecado, que atire a primeira pedra ou que a condene a um ano de prisão. Não foi assim que Jesus ensinou?

Eu, particularmente, enquanto cristã, consigo vislumbrar um país em que aceite minha religiosidade e que, ao mesmo tempo, não considere aborto crime. Eu sou cristã. Eu não abortaria, por uma relação íntima entre eu e Deus e, jamais, posso apontar o dedo para aquela mulher que aborta. Antes sim, devo apontar o dedo a mim mesma para analisar os meus pecados, pedir perdão a Deus, me arrepender e não praticá-lo mais.

Aborto X Direito

Aqui poderia destacar vários pontos, mas só vou analisar um. Você já parou para pensar por que uma conduta é tida como crime e outra não?

Nem tudo que é errado ou ilegal, é crime. Matar é errado e é crime. Não pagar uma dívida por não ter dinheiro é errado também, porém não é crime.

Para que um crime vire lei, certinho como manda o figurino, é necessário que antes haja interesse social na repressão criminal daquela conduta.

E é por esse motivo que adultério não é mais crime em nosso ordenamento jurídico. O adultério continua sendo uma conduta não aceita pela nossa sociedade, mas o interesse social em se reprimir criminalmente essa conduta, desapareceu com o passar dos anos.

Ninguém gosta de ser traído, mas, hoje, a nossa sociedade entende que é desnecessário levar alguém a prisão por adultério.

A grande questão é: há interesse social em se reprimir o aborto como crime? É aqui que entram todas as controvérsias que lemos por aí sobre aborto. A questão de saúde pública, efeitos físicos, morais, religiosos e tudo o mais.

Antes de consultar um jurisconsulto ou um líder religioso, deveríamos consultar os sociólogos para que analisem em que pé está esta questão no Brasil.

Na minha parca opinião, ainda há interesse social na reprovação da conduta do aborto, mas, esse interesse vem diminuindo na medida em que os anos se passam.

Para mim, apesar de ser cristã, a descriminalização do aborto é uma questão de tempo e que, atualmente, merece ser discutida entre todos os entes da sociedade brasileira.

Ou seja, voltamos ao início do texto... vamos discutir e discutir e não chegar a nenhum denominador comum... ainda.

Amigo Secreto do #NOBCriciúma6

Que tal juntar o útil ao agradável?

O @misterjackson queria um NOB que pudesse ajudar as pessoas no fim de ano e a @pq_nao queria fazer um amigo secreto.

Aí veio da idéia: por que não fazer um amigo secreto em que o presente é um brinquedo para uma criança carente?

Pois é. Porque não, @pq_nao? RS

Então está lançado o Amigo Secreto do #NOBCriciúma6!

Qualquer pessoa que irá no #nob6 pode participar, mesmo que não conheça ninguém ou poucas pessoas (a maioria não conhece muita gente mesmo). A idéia é fazer o amigo secreto, exatamente, para promover o entrosamento entre os participantes.

Quer participar?

Passo 1 – acesse o site: www.amigosecreto.com.br e faça o seu cadastro. Recomendo que no campo “nome completo” o participante coloque o nome da sua @ seguido do nome completo. Afinal, nem sempre a @ do twitter coincide com o nome da pessoa e fica mais fácil identificar quem é quem.

Passo 2 – adicione o grupo. O nome do grupo é NOBCriciuma6. Se não conseguir achar, clique aqui: http://www.amigosecreto.com.br/02_03.asp

Passo3 – Adicionou? Agora é só esperar a moderação do grupo aceitar e tu já estais participando!

Fácil né?

O sorteio dos bilhetinhos acontecerá dia 08/12. O site faz o sorteio sozinho e notifica cada participante quem ele “tirou no bilhetinho virtual”.

Do dia 09/12 até o dia da troca de presentes (17/12), tu podes acessar o grupo e mandar mensagem anônimas para teu amigo secreto!

Lembrando que o presente é um brinquedo do valor de até R$ 5,00 que será doado para fazer o Natal de uma criança carente mais feliz ;)!

Vou atualizando aqui a lista das pessoas que estão participando do amigo secreto e atualizando conforme o caso:

@priscilaadv – Priscila Leandro Pacheco

@pq_nao – Quem é ela, né?

@julipereiraa – Juliana Pereira

@ariane_miranda – Ariane Miranda

@izaque23 - Izaque

@mateuscarneiro - Mateus Carneiro


Tratado sobre a culpa ou Porra, culpa, porra!



Ok. Isso não é, nem de longe, um tratado. Apenas um desabafo.

De todos os sentimentos que já tive o (des)prazer de sentir, o mais indigno, mais cruel, mais desumano de todos é, de longe, a tal da culpa.

A culpa nos corrói por dentro, não nos deixa dormir o sono dos justos, fica alí, o tempo todo martelando na consciência, nos cobrando por algo que deveríamos ter feito ou que não deveríamos nem pensar em fazer.

O ódio, por exemplo, só é um sentimento ruim porque nos sentimos culpados em senti-lo, em saber que isso pode trazer algo de ruim para a alguém, ou até a nós mesmos.

É da culpa que a religião sobrevive. Fazemos merda todos os dias e nos sentimos culpados por isso. Saber que Deus nos perdoou é um alívio para a alma, um amenizador dessa culpa fdp que nos consome.

Com o perdão de Deus, nos sentimos bem e prontos para sair por aí e pecar novamente, nos sentiremos culpados e voltaremos aos braços de Deus chorando e pedindo perdão, e, sendo perdoados. É esse o ciclo de toda religião que conheci até hoje (e não foram poucas).

Existe aquela culpa irracional. Sabemos que não temos culpa de determinado acontecimento, mas mesmo assim nos sentimos culpados, mesmo sabendo que não poderíamos ter feito nada para impedir.

Mas, a culpa mais triste de todas é a culpa por não sentir culpa. Fizemos algo ruim ou fora dos padrões sociais. Deveríamos nos sentir culpados, com vergonha. Mas não. Não nos arrependemos e, ao fechar os olhos, faríamos o mesmo “erro” outra vez sem pestanejar. Deveríamos nos sentir culpado, mas não. E lá vem a culpa por não sentir culpa dos nossos “pecados”.

A culpa da qual realmente sou culpada, até consigo levar adiante com o coração sangrando. Porque essa culpa faz a gente aprender a dizer que ama uma pessoa antes que seja tarde demais. Aprende a maneirar a forma de falar determinadas coisas que precisam ser ditas para magoar o mínimo possível uma pessoa com quem tu nutres carinho.

A culpa pelos erros cometidos faz a gente aprender a viver e a conviver. Mas a culpa irracional e a culpa por não sentir culpa.... essas vêm para te sacanear mesmo.

Memórias de uma quase suicida


Sim. Já pensei em me matar e até já decidi fazê-lo uma vez na vida.


Há horas em que cansamos dessa vida, desse corpo. Olhamos para um lado, olhamos para o outro e não vemos solução.


Sempre imaginei que cometer suicídio fosse um ato de desespero. Não. Desespero, agonia, choro incontrolável, tudo isso se sente antes de cometer o suicídio.


A partir do momento em que se decide tirar a própria vida, uma paz enche teu coração, as lágrimas cessam e, por mais macabro que pareça, uma luz no fim do túnel se acende.


É um paradoxo aparente: enfim, encontra-se uma razão para viver: a própria morte.


Torna-se afável a idéia de se livrar do corpo, dos problemas desse mundo. Tu te olhas no espelho e se despede desse amontoado de células que, até então, faziam parte da sua vida. Impossível tu não imaginares teu corpo gélido num caixão forrado de seda creme coberto de flores e tule branco.


Sente-se aquele cheiro de flor de campo característico de velório. Pela primeira vez, pude entender o que aquela música “Flores” do Titãs quis dizer. Seja lá quem compôs essa música, o compôs neste exato momento.


Mas ainda tem de se pensar de como se livrar desse corpo, o tipo de suicídio que se pretende. Serenamente escolhi a ingestão de comprimidos e àlcool. Tal opção me pareceu mais indolor. A idéia era desmaiar antes de morrer pois não queria mais sentir dor nessa vida. De dor, basta a dor emocional, esse sentimento que aleija a gente de tudo que há de bom nessa vida.


Comprimidos não faltavam na minha casa. Fiz um mix deles, para dificultar a lavagem caso descobrissem o que eu tinha feito.


Me pus a escrever minha carta de suicídio. Para quem endereçar? Escrevi à minha amiga de infância pois sabia que ela não lidaria bem com a minha morte.


Neste momento, e só neste, chorei. Pela primeira vez, pensei que ao morrer, mataria uma parte das pessoas que amo. Como não fazê-los se sentir culpados por mais que eles não tivessem culpa alguma?


Me senti culpada pela culpa que iria provocar nas pessoas que amo nesse mundo. Com certeza, eles iriam se perguntar como não perceberam que eu não estava bem, como uma pessoa tão forte, tão para cima poderia fazer algo do tipo?


Percebi que o suicídio é um dos atos mais egoístas que um ser humano pode cometer. É um pensar em si, na sua paz, sem saber que atitutes irreversíveis podem acabar com a sua vida e com a vida das pessoas que tu amas.


Nessa hora, me lembrei de um caso de um chefe de família que, endividado, matou a esposa e filhos e depois se matou. Para muitos um ato cruel. Mas não, foi amor. Seria muito mais cruel tu te matares e deixares tua família viva morrer de fome.


Quando terminei de separar os comprimidos que eram no total de 80 entre: antidepressivos, ansiolíticos, calmantes, controle da pressão alta e relaxantes musculares; fui na internet e comecei a fuçar no Google sobre a forma mais eficaz de se matar com comprimidos.


Acabei me deparando com esse vídeo.


Nele, Nelson Moraes, praticante do espiritismo de Allan Kardec contou a seguinte história:


“Vou te contar um caso de um senhor. Ele era um grande comerciante de tecidos. Isso na década de 40. E ele comprou um lote imenso de tecido, fez um bom negócio. Só que aí veio a guerra e, meu Deus do céu, ele não conseguia vender mais nada. E aí começaram as cobranças, e ele era um homem de caráter e morria de vergonha dos cobradores baterem na porta dele.


Ele entrou em desespero e falou para um amigo: Vou me suicidar.


E esse amigo falou: “não, não faça isso, pelo amor de Deus, antes vamos conversar com Chico Xavier” e levou essa pessoa até Chico Xavier.


E Chico Xavier falou para ele assim: “meu irmão, confia em Deus pelo menos mais 15 dias”


E eles vieram embora. Mas com 9 dias ele não agüentou e se suicidou.


Quando deu 15 dias da ida dele no Chico, veio um grupo de empresários e arremataram todo o tecido da mulher e deixou ela bem de vida”


Quando ouvi essa história, pensei: Está aí, vou dar esse 15 dias. Afinal, o que são 15 dias a mais ou 15 dias a menos? Pelo menos, ninguém vai pode me jogar na cara que eu não dei crédito a uma força superior num momento difícil.


Os 15 dias se passaram, as coisas se acalmaram um pouco e coloquei meu plano de me matar em stand by.


E, hoje, estou aqui, descobrindo a cada dia que, como diria Belchior:


Não quero lhe falar,
Meu grande amor,
Das coisas que aprendi
Nos discos...

Quero lhe contar como eu vivi
E tudo o que aconteceu comigo
Viver é melhor que sonhar
Eu sei que o amor
É uma coisa boa
Mas também sei
Que qualquer canto
É menor do que a vida
De qualquer pessoa...

O ateísmo fanático



Todo mundo está farto de saber que pessoas fanáticas por alguma religião são chatas. Mais um texto sobre isso na web seria perda de tempo.

O que poucos falam é que os ateus declarados são super chatos também! Acreditar que não se acredita em nada é uma dentre as milhares de possibilidades existentes. Mas, assim como os religiosos, os ateus fanáticos são um saco!

O pior tipo de ateu fanático é aquele que um dia já foi um religioso fanático. Esse tipo de pessoa é um pêndulo de relógio, sempre em um extremo. São desequilibrados natos, apenas mudando o foco do desequilíbrio.

Costumam argumentar com a célebre frase: “Não há nada cientificamente provado que Deus existe”. Pois é. A ciência nunca provou a existência de deus, mas, também, nunca provou a sua ausência.

A filosofia encara essa questão de frente há muito mais tempo que a ciência, e, também, não conseguiu chegar a nenhuma conclusão.

O fanatismo é sempre ruim. E, não adianta disfarçar o fanatismo com argumentos científicos e, em tese, com determinado grau de razoabilidade.

O ateu fanático continua tão equivocado quanto o religioso fervoroso e não percebe que é apenas o outro lado da moeda da religião cega.

Se decepcionar com alguma religião, ler alguns filósofos e aprender a argumentar razoavelmente e montar um blog ou fazer vídeos na net, não o aproxima da verdade nem o torna detentor supremo de algum conhecimento.

Lamento informar a esse tipo de gente que vocês continuam os mesmos bobinhos que freqüentavam a igreja e seguiam a risca todos os ditos religiosos. Vocês continuam obstinados a saber dos mistérios da vida, ingênuos achando que detém a resposta. São incapazes de admitir que simplesmente não sabem o qual a verdadeira verdade. Apenas, foram para o outro lado do pêndulo.

São tão soberbos que somente mudaram de resposta embasados por argumentos tão falíveis quanto a de qualquer religioso fervoroso. Mas, a cegueira que leva a humanidade pela a mão, essa continua a mesma, independente do lado do pêndulo que você se encontre.

Perdão

Oh, Senhor, se Tu existes, me perdoe.

Perdoe-me por ter criticado

Perdoe-me por ter me tornado aquilo que tanto critiquei

Perdoe-me por querer solucionar mistérios da humanidade

Perdoe-me por ter solucionado alguns deles

Perdoe-me ter amado a quem não merecia

Perdoe-me por não merecer a quem tenha me amado

Perdoe-me por todas as a vezes em que matei pessoas mentalmente

Perdoe-me por todas as vezes que machuquei pessoas emocionalmente

Perdoe-me por todas a vezes em que morri aos poucos


Oh, Senhor, se Tu existes, me perdoe

Perdoe-me quando fui orgulhosa ao mostrar minha humildade

Perdoe-me quando fui cruel ao demonstrar minha bondade

Perdoe-me quando fui irônica ao rir de alegria

Perdoe-me por ter fingido

Perdoe-me por ter sido sincera demais

Perdoe-me por ter mentido

Perdoe-me por ter falado a verdade


Oh, Senhor, se Tu existes, me perdoe

Perdoe-me por achar que era livre

Perdoe-me por achar que todos os amigos são bons

Perdoe-me por achar que no amor existe

Perdoe-me por cada sonho que não sonho mais

E, claro, me perdoe por cada lata de leite condensado devorada.


Mas senhor, me perdoe logo, preciso dormir descansada

Amanhã é outro dia e tenho pressa

Mas não se engane, Senhor, não me arrependo dos meus erros

Me arrependo só dessa culpa que sinto por tê-los cometidos

Então, Senhor, perdoe-me logo

Pois sou humana, quero dormir e errar em paz...


Ciência X Religião: O extremismo é sempre negativo




O objetivo desse texto não é fazer um tratado nos moldes científicos, citando fontes com autores consagrados para fundamentar o que será escrito, e isso se dá por vários motivos:


- pela falta de pretensão de publicá-lo em fontes oficiais;
- pela mais pura e nobre preguiça de ter que ficar pesquisando cada pensamento que não é exclusivamente meu;
- pela audácia de supor que meu nome é suficientemente renomado para poder “achar alguma coisa” sem citar sua fonte;
- pela humildade de admitir que não possuo o anseio de enfileirar, um dia, os grandes nomes do pensamento pós-contemporâneo.

Na verdade, essas linhas foram escritas para mim mesma, para depositar na eternidade meu pensamento em um dado momento histórico e determinado da minha vida, com a coragem de admitir que tais idéias podem estar completamente equivocadas, e, com esperança de quando eu me der conta disso, tenha coragem serena para admitir publicamente, ou não.

Logo, tais idéias são para ser refletidas e não recomendo seu uso em citações diretas ou indiretas em qualquer trabalho científico. Não que as idéias sejam ruins (ou talvez sejam?), mas porque tal texto carece de metodologia científica e citação de fontes renomadas, afinal, la fuente soy yo (mi español es fueda!).

O homem sempre sentiu a necessidade de crer em algo, sendo esse “crer” uma forma de preencher o vazio que todo e qualquer homem sente. Ele pode crer em deus, em deuses, na religião, no sistema, na energia, na ciência ou até mesmo pode crer que não crê em nada. Mas, de uma forma ou de outra, o homem sempre crê em algo que não compreende por completo, na esperança de que o desconhecido (não importando a sua fonte) possa preencher esse vazio que o homem carrega consigo (ou será que é o vazio que carrega o homem?).

De todas essas fontes que o homem utiliza para preencher esse vazio, duas chamam a atenção: a religião e a ciência.

A religião pode ser considerada a primeira forma que o homem encontrou para preencher seu vazio. Incrivelmente, todas as civilizações (e até mesmo aquelas não tão civilizadas) utilizaram a religião para esse e outros fins. Mesmo considerando as diferentes religiões, não se pode negar o fato que todas elas têm coisas em comum: que há um(uns) deus(ses) que está(ao) acima de nós, a noção de vida após a morte, o ensinamento de um caminho difícil para se chegara um lugar bom/céu/nirvana/acima, e a idéia de um outro lugar ruim/inferno/lugar quente com fogo e enxofre/abaixo.

O mais interessante é que civilizações histórica e cronologicamente sem contato, desenvolveram religiões com as mesmas noções básicas, porém com nomes e formas diferentes. Não poderia responder o porquê disso. Talvez seja porque tenha um fundo de verdade, ou porque seja fruto de uma histeria coletiva e cronologicamente sem fim. O fato é que para mim, essa é uma pergunta sem resposta.

Mas, também, há de se colocar o lado negro da religião, que matou e continua matando milhares de pessoas, sendo utilizado como máscara para se conseguir poder, etc...Isso sem mencionar que a religião nos traz mais dúvidas que certezas.

Por outro lado, tem-se a ciência, a menina dos olhos do homem moderno. A ciência, da forma que a conhecemos hoje, modificou o mundo e a forma de vê-lo. Tudo isso, em pouquíssimo tempo, uns trezentos anos.

Realmente foi um feito extraordinário. De repente, o homem percebeu que pode fazer remédios para doenças que levavam a morte, e, assim as pessoas não morriam mais pelo “desígnio de deus”. Poder explicar e prever desde o movimento de uma simples pedrinha que jogamos ao lago até como funcionam máquinas complexas, é algo que não se pode ignorar.

Talvez, essa tenha sido a primeira vez que o homem obteve respostas concretas sobre certas perguntas em que a única resposta consolável era: porque assim deus quis. E, a partir de então, as coisas não aconteceriam só porque deus queria, pois o homem aprendeu a interferir na vontade de deus e, finalmente, impôs a sua. Eis que o homem descobriu que poderia ser deus.

Agora, ele não era mais uma mera criatura posta na Terra para ser observado lá de cima. Agora, é o homem que observa a Terra e seus processos, aprendendo a manipulá-los. Agora, existe observador e observado.

Talvez, o grande erro da ciência moderna, é admitir, como possibilidade real, a imparcialidade e a neutralidade do observador, com a justificativa de que se o cientista quer descobrir a ‘verdade’, ele deve estar alheio ao objeto observado.

Ocorre que essa divisão é impossível, pois o homem faz e sempre fará parte do objeto observado. Pois cada parte do universo compõe o todo, e, de uma forma ou de outra, separar o observador do observado, é se esquecer que o homem também compõe esse todo, e, esse todo é da forma atual porque o homem dele faz parte; pois se não o fizesse, o todo não seria da forma que é (espero não ter viajado muito na maionese me aprofundado em demasiado).

É exatamente por isso que às vezes ficamos meio perdidos em relação à algumas questões suscitadas pela ciência. Vejamos um exemplo simples: o que é melhor para a saúde – chá ou café?

Há pesquisas científicas que dizem que é o café e há pesquisas, igualmente científicas, que dizem que é o chá. Como pode haver duas pesquisas científicas com resultados conflitantes? Podemos especular duas possibilidades iniciais: a primeira é ver quem está financiando a pesquisa, afinal, qual a possibilidade de uma fábrica de café financiar uma pesquisa que dirá que o café faz mal à saúde? E, me desculpem, mas me recuso a acreditar que um cientista financiado por uma indústria de café, não se sinta obrigado a descobrir somente as vantagens do café, ou seja, de imparcialidade não há nada.

A segunda possibilidade é estudar a vida do cientista, pois as suas experiências pessoais certamente o influenciarão em suas pesquisas. No exemplo dado, não me surpreenderia o fato da pesquisa científica que afirma que o chá é melhor que o café fosse elaborado por cientistas ingleses que bebem chá desde a mamadeira, sendo essa uma tradição de seu país. Ou seja, de neutralidade, nesse caso, não há nada.

Esse é um exemplo bem simples, até porque tal pesquisa afeta muito pouco a nossa vida, pois, não lembro de alguém ter morrido de overdose de chá ou café.

Mas, têm-se casos bem mais complexos que demonstram a impossibilidade de se separar o observador do observado, e as suas conseqüências são inimagináveis.

É o caso da genética. Os cientistas querem compreender o genoma humano, e, dentre seus objetivos, querem evitar que pessoas nasçam com doenças congênitas. Só que se o homem conseguir manipular desse jeito o genoma humano, além de fazer nascer uma criança saudável, também poderá escolher o sexo, a cor dos olhos, do cabelo, da pele.

Tais modificações são cientificamente possíveis, mas se não considerarmos que o homem observador faz parte do objeto observado, em apenas algumas gerações a humanidade será branca, loira e de olho azul ou verde. Por fim, ciência realizará o sonho que Hitler não conseguiu. (Afinal, há diferença entre matar uma pessoa não ariana ou permitir que ela não nasça?)

Outro caso é o da utilização dos recursos naturais.

Inúmeras foram as pesquisas científicas que embasaram a extração dos recursos minerais e hídricos do planeta, sejam elas para potencializar cada vez mais a extração, sejam elas para dar inúmeros outros fins ao recurso extraído. O resultado está se sentindo agora: poluição, aquecimento global, escassez de recursos minerais e hídricos, extinção de várias espécies da fauna e da flora.

O cientista, observador, estudou cientificamente e explorou tais recursos como se ele não fizesse parte do objeto observado, e, conseqüentemente, o observador, hoje, passa fome, está doente, está fazendo guerra e está morrendo.

Mas dessa vez, o homem não pode culpar deus de nada.

Sob esse ponto de vista, muito mais sábia era aquela humanidade que acreditava em fadas e em duendes que viviam na natureza. Uma época, em que o homem era apenas mais uma criatura de deus no meio de outros seres vivos, dos rios, do ar. Uma época em que o homem retirava recursos da natureza apenas para sua subsistência. Uma época em que o homem era parte integrante do planeta. Ninguém comprovou, cientificamente, a existência de fadas e duendes. Porém, ninguém pode negar que a crença da sua existência ajudou a manter o equilíbrio da natureza.

Por fim, não que eu odeie a ciência e ache que ela não sirva para nada. Não que eu seja uma religiosa fanática que acredita num cara lá em cima sentado num trono anotando meus pecados para me cobrar no juízo final. Mas, quem confia cegamente na ciência e faz dela o seu deus ou sua filosofia de vida, comete o mesmo erro daquele mulçumano fanático que, uma dia, pilotou um avião e se jogou contra um prédio em setembro de 2001.

PS: Publiquei esse texto em um blog antigo, então, vou deixar registrado os dois únicos comentários:

Ricardo Chicuta - Espinhosinho o assunto hein?O negócio é o seguinte,sempre achei que esse negócio de crer em algo superior a mim fosse para os fracos.Muito fácil colocar a culpa no Papai Noel.Eu descreio,em tudo e em todos,inclusive em mim mesmo.

Ana Reczek - Eu ja li em algum lugar alguem dizendo que ser ateu nao é uma escolha. Quem escolhe ser ateu é um falso ateu. O verdadeiro é aquele que ja tentou acreditar em varias coisas, mas simplesmente nao consegue. Porque ser ateu é o caminho mais dificil, que menos oferece consolo nas horas duras. Qualquer pessoa que pudesse escolher acreditaria em alguma entidade. É assim que eu me sinto. Acho muito chato nao conseguir acreditar em um poder divino.

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