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Tu és cult? Que pena!


Passei muitos anos da minha vida odiando gente Cult. Eita povinho chato que sempre fica olhando para a gente com aquele ar superior de: “Sou mais inteligente que tu. Morra!”


Vivem citando filósofos, psicanalistas, falando de músicas heavy metal ou filmes antigos, me dá nos nervos. Eles não sabem aproveitar a vida.


Não sou uma pessoa que se possa considerar burra, mas vocês não imaginam a cara de reprovação desses seres quando descobrem que eu gosto de cachaça, funk, Luiz Caldas e Harry Potter.


Uma vez um cara me perguntou como uma menina inteligente podia ter um gosto musical deplorável de empregada dos anos 80.


Oi?


Pára tudo, né? Desde quando inteligência tem algo a ver com meu estilo musical. Sou inteligente e danço Kaoma, qual o problema cidadão?


Há muito tempo atrás, quando eu ainda estava na faculdade, um professor meu me disse: “Mulheres inteligentes como tu não gostam de sexo, Priscila”.


Oi?


Outra vez, estava me preparando para atuar no Tribunal do Júri e acabei encontrando no corredor um cara que tinha conhecido na balada. Ele me disse: “Priscila, é tu mesma com essa roupa? (estava com a veste talar) Nossa, não sabia que tu eras tão séria!”


Oi?


Sim, meus caros. Já li Níti (eu admito q não sei escrever o nome dele), Descartes, Frijof Capra, Hobbes, Maquiavel, Aristóteles, Montesquieu, Freud, Jung, Adam Smith, Marx e por aí vai...


Mas isso não me faz odiar o belo humor negro das tirinhas do Dr. Pepper e ler as inacreditáveis crônicas de Nelson Rodrigues, por exemplo.


Sim, eu assisto às novelas e, pasmem, eu gosto mesmo é de novela mexicana.


Essas pessoinhas sem graça costumam dizer que mal gosto não se discute, só se lamenta. Podem lamentar a vontade desde que em silêncio. Sorry, mas enquanto eles se lamentam... eu me divirto.


Nada contra Platão, sabe. Mas é que no fundo, eu sou fã mesma do Baco. Afinal, do Platão herdamos o amor platônico e de Baco herdamos o bacanal. Rá! ;)

5 Response to "Tu és cult? Que pena!"

  1. Acho que o problema não é citar filósofos, bandas cult e filmes antigos. Afinal quando a gente gosta de uma coisa gosta de falar sobre ela. Mas é um pé no saco quando o fulano se acha melhor do que os outros só porque gosta de "entretenimentos inteligentes". Há também aqueles que se obrigam a não gostar de nada que seja popularesco só para não parecer "ignorante". Ora, eu gosto de Nietzsche (também penava pra escrever o nome do homem, mas de tanto conferir como se escreve acabei decorando), curto uma filosofia assim de leve, gosto de filmes cult (ou pseudo-cults, sei lá), mas também me acabo por um som do Roberto Carlos, assisto os filmes dublados que passam na TV e leio Sabrina, Julia e Bianca. O negócio é ser eclética e não ter vergonha disso.

    Rá,post escrito no auje da TPM Detected.
    Mas a maria Juliana ali em cima esta certa,negócio é ser eclético,mas não muito.
    Kaoma já é demais.E Nietzsche tbém.

    Filipe says:

    Adaptando o comentário da Ju Dacorégio, para mim

    "O negócio é ser ecléticO e não ter vergonha disso".

    BRAVO!

    Acho que a Ju falou por todos, mas eu acrescento: "O negócio é ser ecléticO e não ter vergonha disso e se divertir com qqr porcaria que tiver no nosso alcance. Seja um vinho que não saibamos falar o nome, ou um litro de 51. Um Dostoievsky (que ta escrito errado, óbvio) ou Maryan Keys, um Djavan e um Latino Festa no apê.
    Afinal, o bundalelê é o que nos interessa. Rá!

    Nanda says:

    Gostei muito do texto... Eu adoro rock nacional, mas as vezes gosto de ouvir uma ou outra música do Sorriso Maroto, sei la pq, mas gosto... dá um embalo e naõ tenho vergonha em assumir nada disso... sei que sou inteligente... gosto muito de te ler... beijos

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